Princesa Negra

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A poça de lama e bolor se abre para sediar suas mãos
Suas unhas são todas pintadas de negro profundo
Seu crânio é esbranquiçado e prende pensamentos vãos
No seu lábio escorre saliva vermelha. Lábios pelos quais luto.
Seu vestido é negro brilhante e seus olhos são de madrepérola
Arregalados e vivos, mas sei que suas pupilas estão em luto
Nos sonhos, sei que ainda guarda, dentro do seu coração, uma alma benévola.

Anda pelo campo queimado e acinzentado, num vagar estremecido
Meus olhos sangram, meus ouvidos teimam, meus sonhos desabam
Essas são árvores tortas e os cabelo ao vento, destruindo meu ser onírico
As lágrimas secam e morrem conforme minhas vidas acabam.

Ela possui a sangria, e eu o espírito inquieto; seus cabelos
possuem a magia, deixando meus poros elétricos, seus olhos
quando olham os meus, estão sorrindo tristemente, e meus pelos
eriçam-se, dobram-se, e rebelam-se. Minha pele é fria, mas a carne
é quente feito brasa, e dobra-se, rebela-se. Meus desejos
são, de certa forma, sediados por ela mesma.

Os passos, os olhares, as lágrimas, tudo converte-se nessa sua pele
esbranquiçada, límpida, fúnebre. Quando seus olhos deslizam sob meu rosto,
ainda tenho a frágil esperança, da qual me agarro, agarro mesmo tão rele.
Perfura-me, arranca-me o espírito puro, e me enche de angústia, 
mas ainda há esse olhar nostálgico e puro
que continua sendo, de certa forma,
sua besta.


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